Trilhas pelo Mundo: Guia com 10 Rotas Selecionadas

É comum associar as viagens de luxo ao conforto de um spa, ou acomodações de hotéis cinco estrelas. Porém existe outro tipo de viagem em ascensão, as expedições de luxo. Neste modelo, os viajantes preferem uma caminhada longa, seguida por uma estadia em um resort com spa. O conforto continua presente, só que reorganizado: entra depois do esforço do dia, não no lugar dele.

Essa combinação vem ganhando espaço até entre quem nunca cogitou dormir numa barraca. Até 2030 a projeção é que o número de expedições dobre, especialmente impulsionado pelos novos viajantes, da Geração Z e Alpha. As gerações mais novas buscam experiências novas, locais menos explorados e dão mais ênfase à saúde. 

Preparei uma seleção de dez rotas em vários continentes, com o que você precisa saber antes de se comprometer com cada uma:

  • Monte Roraima (Venezuela)
  • Zion National Park (Estados Unidos)
  • Trilha Inca (Peru)
  • Tour do Mont Blanc (França, Itália e Suíça)
  • Torres del Paine (Chile)
  • Dolomitas (Itália)
  • Caminho de Santiago de Compostela (Espanha)
  • Great Ocean Walk (Austrália)
  • Rockwall Trail (Canadá)
  • Kilimanjaro (Tanzânia)

     

Para cada uma, reuni quatro informações práticas: local, distância, nível de exigência física e as acomodações. Também incluí uma nota sobre particularidades que fazem diferença real na hora de decidir, como as limitações de acessibilidade, épocas do ano, reservas antecipadas e o tipo de suporte disponível ao longo do caminho.

Boa leitura! 

1. Monte Roraima

Monte Roraima visto de cima das nuvens, mostrando o platô de paredes verticais na fronteira entre Venezuela, Brasil e Guiana

Informações básicas

  • Dificuldade: Difícil.
  • Local: Parque Nacional Canaima, na fronteira entre Venezuela, Brasil e Guiana.
  • Distância: Cerca de 72 km (ida e volta), percorridos em 6 a 8 dias.
  • Acomodação: Acampamento em barraca do início ao fim.

O que você precisa saber antes de ir

Monte Roraima é o tepui mais conhecido da região amazônica, um platô de paredes verticais que serviu de inspiração para o romance “O Mundo Perdido”, de Arthur Conan Doyle. A subida inclui um trecho conhecido como Rampa, o único ponto de acesso ao topo, onde existe uma vegetação nativa que não se encontra em nenhum outro lugar do planeta. E a vista no topo compensa. 

A melhor época para subir é entre dezembro e abril, período mais seco na região.

Toda a operação depende de guias locais, exigidos por lei, e não existe qualquer estrutura de apoio ao longo do caminho: sem pousadas, sem pontos de resgate próximos, sem acesso para quem tem mobilidade reduzida. Para cadeirantes, ou qualquer pessoa que dependa de suporte para caminhar longas distâncias em terreno irregular,  o trajeto não é recomendado.

2. Zion National Park

Pôr do sol sobre os desfiladeiros de arenito vermelho do Zion National Park, com a estrada que leva à trilha

Informações básicas

  • Dificuldade: Moderada a difícil.
  • Local: Utah, Estados Unidos.
  • Distância: West Rim Trail, cerca de 23 km, em um dia longo ou em duas etapas com pernoite.
  • Acomodação: Zion Lodge, dentro do parque, ou resorts de luxo na região, como o Amangiri.

O que você precisa saber antes de ir

O parque é conhecido pelos desfiladeiros de arenito vermelho esculpidos pelo Rio Virgin ao longo das eras geológicas. O West Rim Trail atravessa o topo do cânion e termina no acesso ao Angels Landing, um dos trechos mais fotografados dos Estados Unidos.

Duas particularidades merecem atenção no planejamento. Desde 2022, o acesso ao Angels Landing exige uma permissão obtida por sorteio, feito com poucos dias de antecedência, então não é possível garantir a subida sem ter algumas datas disponíveis no seu planejamento. 

O trecho final tem correntes de apoio em penhascos com queda livre dos dois lados, o que o torna inadequado para quem tem vertigem ou qualquer restrição de mobilidade. Já o The Narrows, outro trecho famoso do parque, exige caminhar dentro do próprio rio e fecha temporariamente em períodos de risco de enchente repentina.

3. Trilha Inca

Informações básicas

  • Dificuldade: Moderada a difícil, por causa da altitude.
  • Local: Vale Sagrado até Machu Picchu, região de Cusco, Peru.
  • Distância: 43 km, percorridos em 4 dias e 3 noites.
  • Acomodação: Acampamento em barracas da operadora ou acomodações de luxo.

O que você precisa saber antes de ir

A Trilha Inca é a única forma de chegar a Machu Picchu a pé pela rota original aberta pelos incas, passando por ruínas que a maioria de quem chega de trem nunca vê. É algo único no mundo. 

O governo peruano limita o número de pessoas na trilha a 500 por dia, contando guias e carregadores, e as vagas para a alta temporada (junho a agosto) esgotam com cinco a seis meses de antecedência. Devido aos procedimentos de segurança, não há opção de fazer o percurso sem um guia licenciado.

Para os viajantes, também existem duas experiências. O pernoite é em acampamento, com tendas montadas pela operadora, a opção mais tradicional, mas também a mais concorrida e os acampamentos e lodges de luxo ao longo do caminho, com quartos privativos, banho quente e jantares elaborados a cada parada, uma forma de viver o percurso sem abrir mão do conforto. 

Entre as opções desta lista, a Trilha Inca com lodges está entre os investimentos mais altos, dado o número limitado de vagas e a exclusividade do trajeto. 

4. Tour do Mont Blanc

Informações básicas

  • Dificuldade: Moderada a difícil, por causa do desnível acumulado diário.
  • Local: Maciço do Mont Blanc, com passagem pela França, Suíça e Itália.
  • Distância: Cerca de 170 km no circuito completo, de 10 a 11 dias.
  • Acomodação: Refúgios de montanha com meia pensão, ou hotéis nos vilarejos.

O que você precisa saber antes de ir

O circuito contorna o Mont Blanc passando por Chamonix, na França, Courmayeur, na Itália, e Champex-Lac, na Suíça, trocando de país sem controle de fronteira formal, mas com paisagens que mudam completamente a cada trecho: geleiras, vales verdes e vilarejos alpinos.

Refúgios tradicionais têm banheiros compartilhados, sem estrutura de acessibilidade, e costumam lotar rapidamente entre julho e agosto, portanto vale reservar com meses de antecedência. 

Para quem não quer abrir mão do conforto, existem operadoras que organizam a travessia com hospedagem em hotel todas as noites e transporte da bagagem entre uma etapa e outra.

5. Torres del Paine

Informações básicas

  • Dificuldade: Moderada a difícil, com ventos fortes constantes.
  • Local: Parque Nacional Torres del Paine, Patagônia chilena.
  • Distância: Circuito W, 71 km em 4 a 5 dias, ou Circuito O, 130 km em 8 a 9 dias.
  • Acomodação: Refúgios com serviço de refeições ao longo do circuito, ou o lodge all-inclusive, com passeios guiados diários sem carregar equipamento.

O que você precisa saber antes de ir

O parque reúne as formações que dão nome ao circuito, as torres de granito, o maciço Cuernos del Paine e o glaciar Grey, numa paisagem que muda de cor ao longo do dia. O vento patagônico é parte do trajeto: pode passar dos 100 km/h e fechar trechos temporariamente, sem aviso prévio.

As reservas de refúgio abrem com meses de antecedência e esgotam rapidamente na alta temporada (dezembro a março), mesmo para quem só vai fazer parte do W. Quem prefere não lidar com logística de acampamento e reserva de refúgio por conta própria costuma optar pelo modelo de base fixa, hospedado no mesmo lodge todas as noites, com passeios a cada dia.

6. Dolomitas

Picos das Tre Cime di Lavaredo refletidos em lagos glaciais nas Dolomitas, norte da Itália

Informações básicas

  • Dificuldade: Moderada, com trechos de ferrata que exigem equipamento específico.
  • Local: Dolomitas, norte da Itália, entre o Trentino-Alto Ádige e Vêneto.
  • Distância: Alta Via 1 completa, 120 km em 10 dias, ou trechos isolados de 2 a 3 dias.
  • Acomodação: Refúgios de montanha, muitos com cozinha refinada, ou hotéis em Cortina d’Ampezzo e Alta Badia, com passeios diários.

O que você precisa saber antes de ir

As Dolomitas têm uma vantagem sobre outras trilhas de montanha: teleféricos ligam vários pontos da região, e é possível alcançar mirantes acima de 2.000 metros sem caminhar o dia inteiro. Isso torna a região acessível tanto para quem quer encarar dias inteiros de refúgio quanto para quem prefere caminhadas de algumas horas com retorno ao hotel à noite.

Mesmo com essa infraestrutura, os trechos de trilha propriamente ditos podem ser desafiadores. Alguns caminhos exigem capacete, roupas adequadas para o frio e conhecimento técnico básico, portanto não são recomendados para quem nunca praticou essa modalidade sem acompanhamento.

7. Caminho de Santiago de Compostela

Torres barrocas da Catedral de Santiago de Compostela vistas contra o céu azul, ponto final do Caminho de Santiago

Informações básicas

  • Dificuldade: Fácil a moderada, com terreno majoritariamente plano ou de subida suave.
  • Local: Saint-Jean-Pied-de-Port, na França, até Santiago de Compostela, na Galícia.
  • Distância: Percurso completo, cerca de 780 km em 30 a 35 dias, mas o trecho final, a partir de Sarria, 111 km em 5 a 6 dias.
  • Acomodação: Albergues simples ao longo do caminho, ou pousadas e hotéis nos vilarejos, com transporte de bagagem entre etapas.

O que você precisa saber antes de ir

Se as Dolomitas exigem um pouco de técnica, o próximo destino da lista é o oposto: uma trilha para quem quer caminhar sem se preocupar com equipamento.

O Caminho Francês é a rota mais tradicional entre as diversas opções que levam a Santiago de Compostela, e muita gente opta por fazer apenas o trecho final, que já garante a Compostela, o certificado emitido pela Igreja para quem percorre pelo menos os últimos 100 km a pé.

É a trilha mais acessível desta lista em termos de infraestrutura: hospedagem, restaurantes e sinalização em praticamente todos os dias do percurso. Isso a torna viável até para viajantes com restrições físicas moderadas, desde que o percurso diário seja ajustado e o transporte de bagagem seja incluído, evitando o peso da mochila nas costas.

É procurado pela peregrinação dos fiéis em épocas amenas do ano, na primavera. Portanto, se planejar com antecedência para fazer o trajeto é essencial para não encontrar preços exorbitantes. 

8. Great Ocean Walk

Informações básicas

  • Dificuldade: Fácil a moderada.
  • Local: Costa sul do estado de Victoria, entre Apollo Bay e os Doze Apóstolos.
  • Distância: 104 km em 8 dias, ou trechos reduzidos de 2 a 3 dias.
  • Acomodação: Camping em áreas designadas, ou pacotes com pousadas costeiras e transporte de bagagem entre trechos.

O que você precisa saber antes de ir

A trilha acompanha falésias, praias desertas e florestas de eucalipto até chegar aos Doze Apóstolos, as formações rochosas mais fotografadas da Austrália. Boa parte do trajeto passa perto de estradas de acesso e mirantes com estrutura para visitantes, o que permite versões de um dia para quem quer ver o trecho final sem encarar a semana inteira.

Alguns trechos de falésia sofrem quedas de barreira e fecham sazonalmente, principalmente depois de chuvas fortes. Vale confirmar as condições do trajeto antes de sair, algo que costumamos verificar junto aos parques estaduais no planejamento de cada viagem.

9. Rockwall Trail

Trilha entre lagos glaciais de azul intenso e picos das Montanhas Rochosas canadenses, no trajeto do Rockwall Trail

Informações básicas

  • Dificuldade: Moderada.
  • Local: Parque Nacional Kootenay, Colúmbia Britânica, nas Montanhas Rochosas canadenses.
  • Distância: Cerca de 55 km em 4 a 5 dias.
  • Acomodação: Campings designados dentro do parque, com apoio de backcountry lodges em alguns pontos do trajeto.

O que você precisa saber antes de ir

A trilha segue paralela a uma parede de calcário de mais de 30 km que dá nome ao percurso, passando por lagos glaciais de um azul inigualável e três trechos acima de 2.300 metros. É uma das rotas mais completas das Montanhas Rochosas canadenses sem exigir experiência técnica em montanhismo.

As reservas de acampamento no sistema de parques nacionais do Canadá entre julho e agosto tendem a fechar semanas antes mesmo da temporada começar, então vale entrar na fila assim que o sistema for liberado. 

A presença de ursos na região exige seguir protocolos rígidos de armazenamento de comida, como recipientes específicos e distância mínima do acampamento. É absolutamente essencial que essas informações estejam claras e fazem parte da orientação que passamos antes da viagem para quem nunca caminhou em território com fauna de grande porte. Especialmente porque no Brasil não temos espécies nativas de urso e as medidas de segurança precisam ser seguidas à risca para uma viagem sem incidentes. 

10. Kilimanjaro

Cume nevado do Kilimanjaro visto acima das acácias da savana africana, na Tanzânia

Informações básicas

  • Dificuldade: Difícil, mais pela altitude do que pela técnica.
  • Local: Parque Nacional Kilimanjaro, Tanzânia.
  • Distância: Lemosho, uma das rotas mais completas, tem cerca de 70 km em 7 a 8 dias.
  • Acomodação: Acampamento com equipe de apoio completa de guias, cozinheiros e carregadores.

O que você precisa saber antes de ir

O Kilimanjaro é o ponto mais alto da África, com 5.895 metros, e a subida não exige experiência prévia em montanhismo: é uma caminhada longa, não uma escalada técnica. Por lei tanzaniana, toda expedição precisa de guias licenciados, o que também garante suporte constante no trajeto.

O fator decisivo para o sucesso da subida é o tempo de aclimatização, não o preparo físico. Rotas de 5 dias têm taxa de sucesso bem mais baixa do que as de 7 a 8 dias, como a Lemosho, porque o corpo tem mais tempo para se ajustar à altitude. A escolha da operadora também importa mais aqui do que em qualquer outra trilha desta lista: o histórico de segurança e a qualidade do suporte em altitude variam bastante entre empresas.

Como a Leroy Viagens planeja sua trilha

Nenhuma das dez trilhas desta lista exige abrir mão do conforto que você já espera de uma viagem com a gente. Cuidamos dos traslados até o início do percurso, da escolha entre acampamento, refúgio ou lodge de acordo com o seu perfil, e das operadoras locais que vão te acompanhar, todas licenciadas, com histórico de segurança que verificamos antes de recomendar.

Antes de fechar um roteiro, gostamos de entender três coisas: qual é o seu nível de preparo físico atual, quantos dias você tem disponíveis e o que pesa mais para você entre desafio e conforto. As respostas guiam a escolha entre uma trilha como o Caminho de Santiago, mais tranquila e bem estruturada, ou uma como o Kilimanjaro, que exige outro tipo de preparo físico e mental.

Vamos planejar a sua próxima trilha juntos?

Se alguma das dez despertou seu interesse, ou se você já tem um destino em mente que não está nesta lista, fale com a gente. Vamos construir o roteiro considerando o seu ritmo, sua experiência prévia com caminhadas e o padrão de conforto que você já conhece nas nossas viagens.

Grupo de caminhantes com mochilas e bastões atravessando uma floresta de pinheiros durante expedição de trilha

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