Durante muito tempo, viajar para comer bem significava ir à França ou à Itália. Essas cozinhas continuam com o mesmo prestígio, mas a conversa mudou de endereço. Hoje, muitos dos viajantes que atendemos escolhem o destino pelo restaurante, pelo mercado de rua ou por um prato que viram numa série, e a lista de lugares que despertam essa vontade ficou bem mais diversa.
Preparamos uma seleção de cinco cozinhas que estão atraindo turistas agora, e uma menção honrosa à gastronomia brasileira.
- Peru
- Coreia do Sul
- Japão
- Grécia
- Turquia
Para cada uma, vamos contar o que guia aquela alimentação, os três pratos que valem a viagem e as duas cidades onde essa cozinha se mostra por inteiro.
Boa leitura!
Peru: a costa, os Andes e a Amazônia no mesmo prato
Nenhum país sul-americano recebe hoje tanta atenção da gastronomia mundial. Em 4 de novembro de 2026, Lima sedia pela primeira vez a cerimônia do The World’s 50 Best Restaurants, um ano depois de o Maido ter sido eleito o melhor restaurante do mundo.
O que guia essa cozinha é o aspecto regional. Da costa vêm os peixes e frutos do mar, quase sempre temperados com cítricos e cebola roxa. Dos Andes vêm o milho, a quinoa e as batatas, com milhares de variedades nativas. Da Amazônia chegam frutas e peixes de rio que pouca gente fora do país conhece. Séculos de imigração completaram o quadro com influências japonesa e chinesa.
A pimenta está sempre presente, mas aparece mais como sabor e cor do que como ardência.
Três pratos para provar
- Ceviche: peixe branco cru marinado em suco de frutas cítricas, com cebola roxa, ají e coentro, servido com batata-doce e milho. O caldo que sobra no prato tem nome, leche de tigre.
- Lomo saltado: tiras de filé salteadas no wok com cebola, tomate e shoyu, acompanhadas de arroz e batata frita. É o retrato mais claro da influência chinesa no país.
- Ají de gallina: frango desfiado em um creme de ají amarillo, pão e nozes. Cremoso, levemente picante e muito presente nas mesas de família.
Onde provar estes pratos
- Lima
A capital concentra os restaurantes que colocaram o Peru nos rankings: o Central, de Virgilio Martínez e Pía León, com um menu que percorre os ecossistemas do país por altitude, e o Maido, de Mitsuharu Tsumura, referência da cozinha nikkei (fusão peruano-japonesa). Para equilibrar o roteiro, gostamos de incluir uma cevicheria tradicional no almoço. Em Lima, ceviche é prato do meio-dia, quando o peixe acabou de chegar.
- Cusco
Além de porta de entrada para Machu Picchu, Cusco é onde a cozinha andina se mostra de perto, nos mercados e nas mesas mais simples. No Vale Sagrado, a cerca de uma hora e meia de carro, fica o MIL, também de Virgilio Martínez e Pía León, ao lado das ruínas de Moray e a mais de 3.500 metros de altitude, com um menu feito de ingredientes cultivados na região.
Coreia do Sul: fermentação, pimenta e mesa compartilhada
A onda de séries e música coreanas trouxe junto a curiosidade pela comida, e a curiosidade virou viagem. Competições como Culinary Class Wars, da Netflix, mostraram ao mundo chefs coreanos que antes eram conhecidos só no país. O Guia Michelin, que chegou a Seul há dez anos, registrou em 2026 seu recorde no país: 46 restaurantes estrelados.
A base dessa cozinha é a fermentação. O kimchi é o exemplo mais famoso, mas os molhos fermentados de soja e pimenta, o doenjang e o gochujang, estão por trás de quase tudo. As refeições vêm acompanhadas de banchan, pequenas porções de legumes, conservas e brotos que vão ao centro da mesa para todos. Por isso, mesmo num jantar de churrasco, os vegetais ocupam boa parte do espaço.
A pimenta é mais intensa do que no Peru, mas vem acompanhada de doçura e de um sabor profundo, de fermentado.
Três pratos para provar
- Bibimbap: arroz coberto por legumes salteados, carne, ovo e gochujang, misturado na hora de comer. Na versão dolsot, vem numa tigela de pedra quente que deixa o arroz do fundo crocante.
- Bulgogi: fatias finas de carne marinadas em shoyu, pera e alho, grelhadas na mesa. Come-se enrolado em folhas de alface com um pouco de molho.
- Kimchi: acelga fermentada com pimenta, alho e gengibre, presente em todas as refeições. Vale prová-lo também em versões feitas com outros legumes, como o rabanete.
Onde provar estes pratos
- Seul
A capital reúne 42 dos restaurantes estrelados do país, entre eles o Mingles, do chef Mingoo Kang, único três estrelas da Coreia. O contraste faz parte da experiência: depois de um menu degustação, gostamos de sugerir uma noite no Mercado Gwangjang, com pratos como o famoso tteokbokki, bolinhos de arroz em molho picante.
- Busan
Cidade portuária no sul do país, Busan entrou para o Guia Michelin em 2024 e tem a cozinha mais voltada ao mar. O Mercado de Peixes Jagalchi é a visita obrigatória: você escolhe o peixe nas bancas e ele é preparado no andar de cima.
Japão: ingredientes da estação, precisão e umami
O Japão sempre teve prestígio gastronômico, mas o que mudou foi o jeito de viajar até lá. Os viajantes que atendemos hoje querem menos o sushi que já conhecem e mais o que não encontram no Brasil: um balcão de oito lugares, um izakaya de bairro, um jantar kaiseki que muda a cada mês.
A culinária tradicional japonesa, o washoku, é patrimônio imaterial da UNESCO desde 2013, e o princípio que a guia é a estação. Cada ingrediente tem o seu momento, o shun, e os cardápios acompanham esse calendário. A base é arroz, peixe, legumes e o dashi, um caldo de alga kombu e peixe seco que dá o sabor de umami a quase tudo.
É uma cozinha de pouca pimenta e pouca gordura, em que o tempero é discreto para deixar o ingrediente aparecer.
Três pratos para provar
- Sushi: no Japão, o melhor jeito de provar é no omakase, quando o chef decide a sequência e serve peça por peça, no balcão.
- Ramen: macarrão de trigo em caldo longamente cozido, com estilos que mudam de região para região, do shoyu de Tóquio ao tonkotsu de porco, típico de Fukuoka.
- Tempurá: legumes e frutos do mar empanados numa massa fina e fritos na hora. Nas casas especializadas, cada peça vai direto da panela para o seu prato.
Onde provar estes pratos
- Tóquio
Tóquio é há anos a cidade com mais restaurantes estrelados pelo Guia Michelin no mundo. Muitos dos melhores balcões de sushi têm poucos lugares e reservas que só se conseguem com intermediários locais ou indicação, e é nesse momento que o trabalho da Leroy Viagens faz diferença. Os pequenos restaurantes nos bairros de Shinjuku, Shibuya e Asakusa são ideais para conhecer o que os moradores gostam de comer.
- Kyoto
Antiga capital imperial, Kyoto é o melhor lugar para viver a cozinha kaiseki, servida em vários pequenos pratos que seguem a estação. Muitos ryokans, as hospedagens tradicionais, servem o kaiseki no próprio quarto. O Mercado Nishiki, com mais de 400 anos, é ótimo para conhecer picles, tofu e doces locais.
Grécia: azeite, legumes e os sabores do Mediterrâneo
A Grécia sempre atraiu pelas praias, e agora também pela mesa. No ranking 2025/26 do TasteAtlas, a cozinha grega aparece em segundo lugar no mundo, atrás apenas da italiana. E no dia 20 de outubro o Guia Michelin divulgou sua nova seleção para Atenas, Tessalônica e Santorini, com 21 estrelas no total.
O que guia essa cozinha é a dieta mediterrânea em sua forma mais simples: azeite em abundância, legumes, leguminosas, ervas como o orégano, queijos e iogurte. Peixe e frutos do mar aparecem muito nas ilhas, e o cordeiro é a carne das datas especiais.
Os longos períodos de jejum da Igreja Ortodoxa deixaram uma herança curiosa, uma enorme variedade de pratos sem carne, como os ladera, legumes cozidos lentamente no azeite com tomate. A pimenta quase não aparece.
Três pratos para provar
- Moussaká: camadas de berinjela, carne moída temperada com canela e um creme bechamel gratinado. É o prato de forno mais conhecido do país.
- Souvlaki: espetinhos de porco ou frango grelhados, servidos no prato ou enrolados no pão pita com tzatziki, o molho de iogurte, pepino e alho.
- Salada horiatiki: a verdadeira salada grega leva tomate, pepino, cebola, azeitona kalamata e uma fatia inteira de feta por cima, sem verduras.
Onde provar estes pratos
- Atenas
A capital vive um momento de inovação, com chefs jovens reinterpretando receitas tradicionais em restaurantes com vista para a Acrópole. Um exemplo é o Delta, do chef George Papazacharias, estrelado pelo Guia Michelin e instalado no Centro Cultural Fundação Stavros Niarchos. Sua releitura criativa da gastronomia grega é um dos destaques da cidade.
- Tessalônica
Pouco conhecida pelos brasileiros, Tessalônica é considerada por muitos gregos a capital gastronômica do país e foi reconhecida pela UNESCO como Cidade Criativa da Gastronomia. Sua cozinha carrega influências otomanas, sefarditas e dos refugiados da Ásia Menor.
Turquia: a herança otomana, o tempero da Anatólia e o café
A Turquia aparece em sétimo lugar no mesmo ranking do TasteAtlas e vem ganhando espaço rápido nos guias. O Guia Michelin chegou a Istambul em 2022, depois incluiu Izmir e a região de Bodrum, e em 2026 estreou na Capadócia. Hoje o país tem dois restaurantes com duas estrelas, o TURK Fatih Tutak, em Istambul, e o Vino Locale, em Izmir.
Para entender essa cozinha, é preciso lembrar que Istambul foi por quase quinhentos anos o centro do Império Otomano. As cozinhas do palácio reuniam receitas dos Balcãs, do Oriente Médio e da Ásia Central, e esse repertório se espalhou pelo país. A base é farta: cordeiro, trigo e bulgur, iogurte, berinjela, pimentões e muito azeite.
O tempero muda conforme se vai para o leste. No litoral, a comida é leve e cheia de ervas. No sudeste, perto da Síria, entram as pimentas secas, como o pul biber, e os kebabs ficam mais picantes.
Três pratos para provar
- Kebab: muito além do espeto giratório, são dezenas de estilos regionais. O Adana leva carne de cordeiro picada à faca e pimenta; o İskender vem fatiado sobre pão, com molho de tomate, manteiga e iogurte.
- Mantı: pequenos pastéis de massa recheados com carne, cobertos com iogurte com alho e manteiga com páprica.
- Baklava: camadas finas de massa folhada, pistache ou nozes e caldas doces. A melhor é servida no mesmo dia em que foi feita, ainda crocante.
Onde provar estes pratos
- Istambul
A cidade concentra a maior parte dos restaurantes premiados do país e uma cena contemporânea que dialoga com receitas anatólias quase esquecidas. Gostamos de combinar um jantar degustação com um passeio pelo Bazar das Especiarias e um café da manhã turco à beira do Bósforo. Para fechar, o café turco, preparado lentamente no cezve, uma pequena panela de cobre, e servido com a borra no fundo da xícara. A tradição é reconhecida pela UNESCO como patrimônio imaterial, e há quem peça para ler a sorte no desenho que a borra deixa.
- Gaziantep
No sudeste do país, Gaziantep é Cidade Criativa da Gastronomia pela UNESCO e a capital turca do pistache. Sua baklava foi o primeiro produto turco a receber o selo europeu de indicação geográfica protegida. É um destino menos turístico e com estrutura hoteleira mais simples, por isso costumamos sugeri-lo como uma extensão de dois ou três dias, voando a partir de Istambul.
Menção honrosa: Brasil
Não poderíamos fechar esta lista sem falar da nossa cozinha, que em 2026 recebeu um reconhecimento inédito. Em abril, o Guia Michelin deu três estrelas ao Tuju e ao Evvai, ambos em São Paulo, os primeiros restaurantes com essa distinção na América Latina.
O que torna a gastronomia brasileira tão interessante para quem vem de fora é a diversidade. No Pará, o tucupi, o jambu e os peixes de rio. Na Bahia, o dendê e a moqueca. Em Minas Gerais, o queijo artesanal, o fogão a lenha e o doce de leite, e não é por acaso que Belo Horizonte, nossa casa, é Cidade Criativa da Gastronomia pela UNESCO. No Sul, o churrasco.
Para quem quer explorar essa riqueza, São Paulo reúne os chefs que levam ingredientes de todas essas regiões para o menu degustação.
Como a Leroy Viagens planeja sua viagem gastronômica
Numa viagem pensada em torno da comida, a reserva certa vale tanto quanto o hotel. Muitos dos restaurantes citados aqui têm poucos lugares e abrem a agenda com semanas ou meses de antecedência. Cuidamos dessas reservas, dos guias locais que levam aos mercados e das experiências que não aparecem nos sites, como uma aula com um chef ou uma visita a um produtor local.
Vamos planejar a sua viagem juntos?
Se alguma dessas cozinhas despertou sua vontade, ou se você já tem um prato em mente que gostaria de provar na origem, fale com a gente. Vamos construir um roteiro com as mesas certas, no ritmo que você gosta de viajar.
Clique no botão abaixo e vamos conversar!